Um dos autores do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o advogado Miguel Reale Jr. afirmou nesta quinta-feira (8) que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) dá um “tapa na cara da civilização” e caminha para um “processo paranoico perigoso” ao voltar a chamar o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos principais símbolos da repressão durante a ditadura militar, de “herói nacional”.

“Como ex-presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, e tendo sabido o que se passou no Doi-Codi, [me] causa a maior indignação. [É] um tapa na cara da civilização”, disse à Folha.

Ex-ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso, Reale Jr. foi o primeiro presidente da comissão, cargo que ocupou entre 1995 e 2001. Hoje, o órgão está vinculado ao atual Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

“O presidente caminha para um auge de confrontos, sentindo-se todo poderoso para fazer e dizer o que bem entende. [É] um processo paranoico perigoso.”

Para o advogado, “constitui flagrante falta de decoro” o presidente homenagear Ustra, que foi condenado em segunda instância por tortura e sequestro no regime militar (1964-1985). “Consagrar um torturador, assim reconhecido pelo Judiciário, como herói nacional é legitimar a tortura.”

Via DCM