Com tantos partidos no Brasil, João Azevedo vai brigar pelo PSB ou vai escolher a opção mais racional, e ir para outra legenda, deixando o antecessor Ricardo Coutinho sem o respaldo do governo e forçando parlamentares que dependem da estrutura do Executivo a escolherem um lado?

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Leia no PBValeRicardo e Rosas na disputa pelo voto de 51 diretoriandos

A pergunta é obrigatória diante da decisão anunciada pelo presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, de dissolução da Direção estadual, legitimamente eleita, mas já não do agrado do ex-governador, mediante apresentação de cartas de renúncia de 51% dos seus membros, o que obrigaria a nomeação de uma Comissão Provisória.

A decisão expôs o racha interno até então negado pelos dois lados, e tratado como se fosse apenas uma ação contra o então presidente Edvaldo Rosas, que assumiu a Secretaria de Governo, a que tem mais recursos no Estado e que faz a interlocução política.

O ex-governador Tarcísio Burity costumava dizer que o único governador do Brasil que não brigou com o antecessor foi Tomé de Souza, porque foi o primeiro.

Não podemos esquecer o risco desse lance para o PSB e para os seguidores de Ricardo Coutinho, afinal, a história da Paraíba tem muitos exemplos de lideranças “imbatíveis” que foram derrotadas por figuras consideradas até então “insignificantes” eleitoralmente.

A última foi apenas em 1998. Com a aprovação da reeleição, o então governador José Maranhão – um líder, mas que até então não poderia ser comparado a Ronaldo Cunha Lima – decidiu concorrer, quando o ex-governador já era tido como candidato imbatível.

O racha ocorreu com o episódio do Campestre, seguido de uma disputa democrática – voto secreto – pelo comando do PMDB. Maranhão indicou Haroldo Lucena para presidente, que derrotou Ronaldo. Foi ungido candidato, ganhou no 1° turno com 80,72% dos votos, sua coligação elegeu 10 dos 12 deputados federais (cinco do PMDB) e 34 estaduais (20 do PMDB), feito jamais superado.

Maranhão virou vítima – e grande líder – com o caso Campestre. Nem toda a popularidade e simpatia do ex-governador poeta evitou a resposta do eleitorado, efeito parecido com o que fez Luciano Agra eleger Luciano Cartaxo seu sucessor na Capital.

Ricardo ganhou à primeira, mas se foi uma “vitória de Pirro”, só o futuro dirá.