O ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PDT), candidato a presidente em 2018, afirmou na quinta-feira (22), em entrevista à Radio Super, de Minas Gerais, que “o Brasil está sendo violentamente agredido por todos os ângulos que se analise”. “O governo Bolsonaro se candidata a ser o pior governo da história do país”, avalia.

“E o que mais impressiona é o grau de mentira que está sendo adotado por Bolsonaro, observa o pedetista. “A Amazônia brasileira está ardendo em chamas. Imagens de animais morrendo queimados estão chocando jovens em todo o planeta, os artistas estão se posicionando, é uma coisa terrível e o presidente diz que são ONGs estrangeiras que tocaram fogo na Amazônia. Isto é um absurdo”, afirmou o ex-ministro.

“Ao invés de provar o que ele diz com documentos que poderiam ser obtidos dos órgãos de investigação do Estado, Bolsonaro está mentindo para dar argumentos para essa legião de malucos que ele cevou”, acrescentou Ciro. “E agora, ele está querendo continuar a governar com mentiras”, prosseguiu.

“Bolsonaro ganhou a eleição com mentiras e com o desgosto do povo. Um desgosto com o desastre do governo Dilma e do governo Temer. Mas, governar assim não é admissível. Nós temos que superar essa crise chamada Bolsonaro, uma crise que foi criada pelo PT e também pelo Temer, que a agravou, e que agora está sendo aprofundada por este governo irresponsável”, afirmou Ciro Gomes.

Para ele “a unidade agora é na luta contra Bolsonaro”. “Vem aí uma agenda avassaladora. Eles vão querer aprovar uma reforma tributária. Nós defendemos taxar lucros e dividendos. Só com esta proposta, nós vamos arrecadar R$ 70 bilhões. Se passarmos um pente fino nas isenções fiscais e economizarmos 20% dessas isenções, são mais R$ 80 bilhões. Somando os resultados das duas medidas, acabou o déficit público”, apontou.

Para Ciro, “nem de longe a proposta de reforma da Previdência de Bolsonaro resolve os problemas do curto e no médio prazo, em nenhuma das suas circunstâncias”. “O efeito fiscal dessa amargura que se impos aos mais pobres será em dez anos. Isso significa efeito fiscal zero hoje”, denunciou.

“O que se fez foi extinguir o sistema previdenciário para o povo pobre. É só perguntar se alguém vê um homem de 65 anos trabalhando no construção civil. Ou uma mulher de 65 anos numa loja como balconista”, prosseguiu Ciro.

Segundo o ex-governador, com Bolsonaro “é a pior execução orçamentária da história nos sete primeiros meses de governo em Educação Pública, em Ciência e Tecnologia e segurança pública”. “Apenas 6,5% do orçamento foram gastos em segurança”, denunciou.

“A situação é crítica. As universidades estão parando, os Institutos Federais estão parando, os bolsistas do CNPq praticamente a partir de setembro não terão mais pagamento de suas bolsas. São oitenta mil pesquisadores brasileiros, parte de eles que estão no estrangeiro, que terão suas bolsas cortadas. Isso é muito grave”, alertou o vice-presidente do PDT.

Ciro Gomes destacou que “o investimento neste momento no Brasil é o pior desde que começou a ser medido”. “Hoje o país investe menos de um terço de 1% do PIB”, observou o pedetista. “Além de tudo isso, o governo Bolsonaro está abrindo áreas de conflito no cenário internacional que vai trazer muitos problemas para os produtores e para o país”, prosseguiu.

“O governo está arrumando confusão com a França, com a China, com a Argentina, está se metendo nos assuntos internos do país vizinho, violentando uma tradição diplomática de não intervenção que tem mais de duzentos anos”, assinalou o ex-governador.

“Nomeia, ou pretende nomear, um filho despreparado, de 35 anos, um policial para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos. Tudo isso poderá trazer em breve grandes restrições aos produtos do Brasil lá fora”, acrescentou Ciro Gomes.