Solto em 2019, borracheiro que ficou cinco anos preso injustamente no Ceará sofre para se readaptar: ‘Não me sinto livre’

Quase cinco meses depois de deixar o presídio, o borracheiro Antônio Cláudio Barbosa de Castro, de 35 anos, ainda não se sente livre. Condenado por estupro e mantido preso por 5 anos no Ceará, até ser inocentado pelo crime em novo julgamento no mês de julho, ele sofre para se readaptar à vida fora da prisão e revive o medo de ser encarcerado a cada abordagem da polícia.

O borracheiro foi detido em agosto de 2014 por suspeita de abusar sexualmente de oito mulheres, de idades entre 11 e 24 anos, em Fortaleza. Neste ano, o caso foi analisado pela organização não-governamental Innocence Project (IP) Brasil, que, em parceria com a Defensoria Pública do Ceará, conseguiu provar à Justiça que Cláudio não era o responsável pelos estupros.

Apesar de ter sido libertado no dia 30 de julho, Antônio Cláudio conta que já foi abordado duas vezes pela Polícia Militar, em Fortaleza, e quase foi levado a uma delegacia da Polícia Civil. Os policiais identificaram cadastro com o nome do borracheiro no sistema da Justiça e ele precisou provar que foi inocentado pelas Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), mostrando, inclusive, o alvará de soltura aos agentes de segurança.

Questionado sobre a confusão, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) informou que, de acordo com o Sistema de Automação da Justiça (SAJ), o processo que tramitou na 12ª Vara Criminal de Fortaleza, na qual Antônio Cláudio era réu, “encontra-se arquivado definitivamente”.

Já a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que “a Polícia Militar do Ceará (PMCE) cumpre uma série de procedimentos de abordagem que respeitam as leis vigentes no ordenamento jurídico brasileiro”.

“O trabalho de identificação de uma pessoa na rua é feito por meio de ferramentas que auxiliam o policial a garantir a própria segurança e a de terceiros. Em todas as abordagens policiais, os dados civil e criminal da pessoa abordada são checados. No Sistema de Informações Policiais (SIP), consta uma passagem por estupro no nome de Antônio Cláudio Barbosa de Castro, no ano de 2014, uma vez que o processo em desfavor do mesmo ainda corre na Justiça”, completou a Secretaria.