Governo Bolsonaro adere a ideia que Ciro Gomes propôs nas eleições presidenciais

 O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, anunciou a disposição de renegociar dívidas com três milhões de devedores da CEF, com renda até cinco salários mínimos (R$ 4.990), que estão com pagamento em atraso. E que vai dar descontos de até 90%  no montante das dívidas, infladas pela cobrança de juros escorchantes sobre o débito original.

Esse percentual é o mesmo que foi sugerido por Ciro Gomes em seu plano de Governo nas eleições presidenciaveis de 2018. Na época, o plano foi apelidado de “SPCiro” e prometia renegociar as dívidas dos brasileiros a juros menores dos que os práticados pelo mercado, via os bancos públicos. Ainda sim garantindo lucro pros bancos e “limpando”o nome de devedores que estavam negativados nos serviços de proteção ao crédito. Alvo de polêmica, e atacado por adversários na campanha eleitoral, ironicamente, o “SPCiro” terá um programa bem “semelhante” na Caixa Economica sob gestão do Governo Bolsonaro. 

Segundo Guimarães, com o desconto, a maioria das dívidas cairá para o valor médio de R$ 2 mil. E os devedores, em vez que sofrerem um endividamento impagável e em bola de neve, com a cobrança de juros de 10% ao mês, vão pagar juros de 2% ao mês. Com o refresco, ele espera que o montante de R$ 4 bilhões de dívidas em atraso gere uma recuperação de créditos de R$ 1 bilhão.

Para Guimarães, além de recuperar parte dos débitos, o programa tem a vantagem de diminuir o prejuízo da Caixa e permitir a retomada do crédito. “São 300 mil pequenas empresas e 2,6 milhões de pessoas [físicas] que poderão renegociar as dívidas. Todos estão negativados. Esses recursos já estão lançados como prejuízo, fora do balanço. Essas pessoas estão à margem, e poderemos voltar a oferecer crédito, como o consignado”, explicou.

Segundo o colunista Gilberti Menezes Côrtes, do Jornal do Brasil, “nenhum negócio pode ir adiante com juros tão altos. Para a CEF, que paga mensalmente menos de 0,4% de rendimento aos poupadores na caderneta de poupança, receber 2% ao mês de juros dos devedores ainda é um excelente negócio. Como o próprio presidente Pedro Guimarães sublinhou, “os prejuízos já foram lançados nos balanços” (depois de 90 dias em atraso os bancos são obrigados a fazer provisões) e são abatidos do Imposto de Renda.

Tudo isso permite uma renegociação ampla das dívidas das famílias e dos pequenos empresários, que poderia fazer a roda da economia girar novamente. Como nada foi feito, o país está com o consumo estagnado e a guerra comercial que se desenha no horizonte entre Estados Unidos e China, ao lado da crise da Argentina esvaziam a saída das exportações como motor do crescimento e do emprego.”.

Com informações Jornal do Brasil

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