Moro usou políticagem, na boca da urna, de acusações sem provas de Palocci

Dá para compreender por que o ministro Sergio Moro gostaria de destruir todas as provas colhidas pela Polícia Federal na ação contra hackers. Seja ou não o conteúdo obtido o mesmo que chegou ao The Intercept Brasil, ressalte-se uma evidência: o ex-juiz tem medo do que disse e fez e do que disseram e fizeram seus subordinados no MPF. O passado de ilegalidades e de abusos políticos os assombra.

Considerações políticas influenciaram a decisão do então juiz Sergio Moro de divulgar parte da delação do ex-ministro Antonio Palocci a seis dias do primeiro turno da eleição presidencial do ano passado, sugerem mensagens trocadas na época por procuradores da Operação Lava Jato. Os diálogos, obtidos pelo The Intercept Brasil e analisados pela Folha junto com o site, indicam que Moro tinha dúvidas sobre as provas apresentadas por Palocci, mas achava sua colaboração relevante mesmo assim por representar uma quebra dos vínculos que uniam os petistas desde o início das investigações. “Russo comentou que embora seja difícil provar ele é o único que quebrou a omertà petista”, disse o “pertinente a esse atos”

Comento Eis aí.

Pouco mais de um mês depois, Moro aceitou o convite para ser ministro da Justiça de Jair Bolsonaro. Consta que a ala lava-jatista do Supremo acha que, até agora, não veio à luz nada de extremamente grave sobre a atuação de Moro. Tenho certa curiosidade de saber o que esses valentes entendem exatamente por “gravidade”. Então não é grave que um juiz decida divulgar, na boca da urna, um material de claro impacto eleitoral que ele próprio considera inconsistente, fraco, porque, segundo diz um procurador, o vê nele um racha no petismo? Vamos dar nomes? Isso é irrelevante, ministro Edson Fachin? Isso é irrelevante, ministra Cármen Lúcia? Isso é irrelevante, ministro Isso é irrelevante, ministro Luiz Fux? Isso é irrelevante, ministro Roberto Barroso? Isso é irrelevante, ministra Rosa Weber? Veja que curioso: os cinco ministros que chamo às falas foram indicados por petistas. Parece que o PT formou, com efeito, um STF independente. Independente até da lei. Ou dependente demais do governo de turno e da metafísica influente. O que vai acima só permite uma leitura: Moro fez uso político do depoimento de Palocci mesmo sem reconhecer a existência de provas.

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